Entender o funcionamento das redes sociais, da inteligência artificial e dos novos termos é o primeiro passo para garantir autonomia no ambiente virtual
Por Eduarda Gomes
Navegar pela internet virou parte da rotina, mas a sensação de esbarrar em um idioma estrangeiro dentro da própria tela ainda é comum. São expressões em inglês e termos técnicos que muitas vezes aparecem sem explicação. A verdade é que ninguém precisa decorar o vocabulário de uma vez para usar a tecnologia com tranquilidade, mas entender o básico ajuda a evitar armadilhas e garante mais autonomia no dia a dia.
Na prática, a experiência digital começa quando o usuário abre os aplicativos. A tela inicial, onde as imagens e textos vão deslizando à medida que a pessoa rola o dedo, é o chamado feed. Só que o conteúdo exibido ali não aparece por acaso.
Por trás da tela opera o algoritmo, um sistema que observa o que prende a atenção, com base em cliques, curtidas e visualizações, e passa a entregar mais do mesmo assunto. O efeito colateral da seleção é a bolha digital, um fenômeno em que a rede mostra apenas opiniões parecidas com as do leitor, dando a falsa impressão de que todo mundo pensa igual.
A maioria das plataformas pertence às Big Techs, termo usado para definir as grandes empresas de tecnologia (como Google, Meta, Apple, Microsoft e Amazon) que concentram quase tudo o que é feito na rede. Como as companhias lidam com um volume imenso de arquivos, o risco de vazamento de dados, quando informações privadas são invadidas e expostas, virou pauta constante.
Para se proteger de eventuais perdas, o caminho mais seguro é manter um backup, que nada mais é do que uma cópia de segurança de arquivos: conversas, contatos e imagens. Já para guardar uma informação rápida na tela, o recurso ideal é o print, a foto instantânea do próprio visor do aparelho.
O cuidado precisa ser redobrado quando o assunto é o conteúdo das mensagens. A desinformação, prática de fabricar ou espalhar informações falsas para enganar o público, promover pânico e/ou lucrar, circula com velocidade. Ela se materializa nas fake news, notícias falsas que costumam vir acompanhadas de clickbait, títulos apelativos feitos para atiçar a curiosidade e instigar a pessoa a clicar.
A tecnologia trouxe ainda o avanço da Inteligência Artificial (IA), com sistemas capazes de simular o raciocínio humano. Se por um lado a inovação ajuda em várias tarefas, por outro gerou alertas com os deep fakes, vídeos ou áudios criados por IA que reproduzem a voz e/ou o rosto de uma pessoa com tanta precisão que ela parece dizer ou fazer coisas que não aconteceram na vida real.
Diante do cenário, a principal ferramenta de defesa é o fact-checking, trabalho de checagem em que jornalistas investigam fontes, documentos e dados para confirmar se um fato é verdadeiro antes que ele continue a se espalhar.
No fim das contas, a internet não precisa ser um terreno temido. O desenvolvimento da postura crítica, aliado ao hábito de desconfiar e checar os fatos antes de repassar qualquer conteúdo, permanece como a ferramenta mais simples e eficiente para garantir uma navegação segura e autônoma.
