Karine Santos
As lógicas capitalistas controlam os conteúdos compartilhados e acessados nas redes sociais. Os algorítmos funcionam como sistemas automatizados de indicação e organização de conteúdo, algoritmos esses que contribuem para a perpetuação da invisibilização e da estigmatização de povos minorizados. Por trás dos algorítmos existem empresas interessadas em lucrar a qualquer custo, até mesmo repercutindo com mais ênfase conteúdos de desinformação e ódio.
Tarcízio Silva, pesquisador em tecnologia, no livro “Racismo Algorítmico em Plataformas Digitais: microagressões e discriminação em código” e Richard Santos, jornalista, no livro “Comunicação em disputa. A luta pelo imaginário na América Latina na era Trump” destacam que a criação dos algorítmos das redes sociais surgiram com bases supremacistas brancas. O que explica muito os conteúdos que mais repercutem nas redes.
A mídia tradicional, e as redes sociais mais recentemente, contribuem para manter e reforçar estigmas e naturalizar discursos dominantes de marginalização. Tarcízio Silva detalha que corpos negros, indigenas e outros grupos minorizados sempre foram marginalizados na mídia tradicional, enquanto pessoas brancas sempre foram colocadas como plenamente humanas e a branquitude como padrão universal da humanidade. Com as redes sociais e as mudanças digitais dos últimos anos, nada mudou. O racismo apenas mudou de lugar – apesar de que a mídia tradicional ainda está muito longe de romper com esses padrões.
As micro e as macroagressões descritas por Richard Santos evidenciam os ataques sistematizados constantes que pessoas de raça sofrem na internet. As microagressões acontecem de forma que o racismo é encoberto e não intencional e as macroagressões simbolizam o racismo explícito e intencional. Quanto mais as plataformas permitem e treinam seus algorítmos para repercutirem e recomendarem esses tipos de conteúdos, mais as pessoas ficam à vontade para publicar e violentar pessoas racializadas.
Ambos os textos são extremamente essenciais para entender como funciona a lógica das plataformas e dos algoritmos e como eles alimentam o racismo nas redes sociais. A regulamentação dos aplicativos, o estabelecimento de regras e a criação de leis para gerir são fundamentais para reduzir estigmas de agressividade, hiperssexualização de mulheres negras e outros preconceitos.
Além disso, não apenas os usuários que compartilham conteúdos desinformacionais ou de ódio devem ser punidos, mas principalmente as plataformas que permitem e apoiam, através dos algorítmos, que esses conteúdos sejam publicados livremente. Também ganham mais destaque a partir da ordem dos resultados de busca, que são definidas algoritmicamente.
Texto: A autora é acadêmica do curso de Jornalismo na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
Imagem: Arquivo Sesc São Paulo.
