Integrantes do projeto de extensão Combate à Desinformação nos Campos Gerais, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), questionam o uso da violência e o desrespeito aos direitos humanos durante a megaoperação policial realizada na terça-feira (28/10) nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro.
A ação, anunciada pelo governo estadual como combate ao narcotráfico, mobilizou mais de 2.500 agentes das polícias civil e militar, helicópteros, drones e carros blindados. Até o momento, foram identificados 64 mortos, entre moradores, suspeitos e policiais. O número torna a chamada “Operação Contenção” a mais letal da história do estado.
Escolas e creches suspenderam as atividades, unidades de saúde foram fechadas e trabalhadores ficaram impedidos de circular. A rotina e os direitos básicos de uma parcela da população foram interrompidos pela militarização da vida cotidiana nas favelas.
O projeto Combate à Desinformação repudia a naturalização da violência de Estado e a lógica de guerra aplicada às periferias urbanas. Nenhuma política de segurança pública é legítima quando coloca em risco a vida de trabalhadores e suas famílias. O direito à vida e à dignidade devem prevalecer sobre discursos que justificam o extermínio sob o pretexto de segurança.
É dever do Estado garantir a proteção e a cidadania de todos os brasileiros, sem distinção de território, classe ou cor. O uso desproporcional da força e a negligência pelas consequências da operação representam uma indiferença perante os princípios democráticos e à Constituição.
Os membros do projeto extensionista reafirmam o compromisso público em defesa da democracia e dos direitos humanos. O grupo se solidariza com as famílias das vítimas e com todas as comunidades afetadas pela violência estatal.
Texto: Eduarda Gomes
Arte: Daniel Américo
