Brincadeiras, afeto e sensibilização coletiva marcaram a 5º edição do Natal Solidário realizada na Ocupação Ericson John Duarte. A iniciativa, construída pelos próprios moradores com apoio de coletivos e de projetos de extensão da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), reuniu cerca de 400 crianças e familiares.
A celebração ocorreu no sábado (20/12) e contou com a entrega de kits e brinquedos, apresentações de teatro, música, pintura de rosto, brincadeiras, lanche e cama elástica. Ao todo, aproximadamente 200 brinquedos novos ou em bom estado foram arrecadados, além de doações em dinheiro revertidas na compra de presentes.

Para Karina Janz, professora do curso de Jornalismo da UEPG que acompanha a atividade desde a primeira edição, a campanha reforça o papel social da universidade. “A intenção é que a campanha saia do curso [de Jornalismo] e consiga envolver toda a comunidade universitária”, afirma. Segundo ela, a ação proporciona um espaço de aprendizado mútuo. “Ao mesmo tempo em que as crianças vão ter o momento de lazer e brincadeira, há também o movimento e o retorno de quem participa. É um momento de troca e de muito aprendizado”, destaca. A professora salienta que o envolvimento direto dos estudantes fortalece a continuidade das ações.
Além do Natal Solidário, a comunidade promove outras campanhas ao longo do ano, como a Páscoa e o Dia das Crianças Solidário. Para Karina, mesmo com a consolidação da iniciativa ao longo dos anos, cada edição traz algo novo. “Ao mesmo tempo em que já existe uma tradição, sempre há algum aspecto diferenciado, seja por parte de quem participa, seja do que é possível oferecer para a comunidade”, pontua.

A data também foi simbólica por marcar a celebração conjunta do 4º aniversário da ocupação, reunindo moradores, coordenadores do Movimento Popular de Luta (MPL) e apoiadores. Para o bolsista do projeto Combate à Desinformação nos Campos Gerais, André Guimarães, a mobilização conjunta assume caráter político. “É um ato político de garantir dignidade e futuro para as crianças da ocupação, colocando a vida acima do lucro”, ressalta.
Lorena Santana, coordenadora do Centro Acadêmico de Jornalismo que participou do Naral Solidário, destaca que, para muitas famílias, ações como essa são essenciais. “Os responsáveis da família estão preocupados com a alimentação e subsistência dos membros, sendo assim, brinquedos e presentes ficam em último plano, e as doações acabam sendo a única esperança de uma data completa para as crianças”, explica. Ela também relata o valor simbólico da ação. “Através do ato simples de entregar um brinquedo, nós podemos ajudar a criar uma grande memória e deixar uma marca na vida de uma criança”, afirma.

Para Lorena, a participação estudantil também transforma quem contribui. “Estar envolvido no movimento faz com que os estudantes adquiram, na prática, experiências acerca de realidades que são comumente pautadas e pouco vividas”, conclui.
A ação contou com o apoio dos coletivos MPL e Juntos! Antifascista e Anticapitalista, além do Diretório Central dos Estudantes da UEPG (DCE) e dos centros acadêmicos de Direito e de Jornalismo da UEPG. Também participaram os projetos de extensão Combate à Desinformação nos Campos Gerais e ELOS – Jornalismo, Direitos Humanos e Formação Cidadã.
Texto: Eduarda Gomes
Fotos: André Guimarães, Karina Janz e Lorena Santana
