Apesar de Teixeira Soares ser uma referência no Paraná em número de produtores rurais com certificação orgânica, a desinformação ainda é um obstáculo para o fortalecimento da agroecologia no município.
A assistente social do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), Paula Basílio Alves Ribeiro, avalia que muitos agricultores desconhecem as políticas públicas específicas para o setor. “Existem muitos programas e políticas, mas não chega informação para todos”, afirma. Ela destaca que há, inclusive, resistência interna. “A própria agricultura familiar, em geral, aqui do município, não reconhece a agroecologia e o orgânico como uma forma viável de agricultura, de sobrevivência e de segurança alimentar e nutricional”, diz.
O IDR-PR atua como mediador no acesso a políticas estaduais e federais, como Fomento Rural, Nosso Agente Paraná, Renda Agricultor Familiar, Programa Nacional de Alimentação Escolar e Programa de Aquisição de Alimentos. “O desafio é pensar uma produção de alimentos saudáveis, que respeite não só o meio ambiente, mas os trabalhadores, gerando uma renda digna e com respeito ao trabalho das mulheres”, explica Paula Ribeiro.

No Município, há dois tipos de certificação orgânica: pela Rede Ecovida e pela Organização de Controle Social (OCS), emitida pelo Ministério da Agricultura. Cerca de 60 famílias participam da produção orgânica certificada e 40 propriedades trabalham de forma agroecológica, distribuídas nos quatro assentamentos do município.
A Secretaria Municipal de Agricultura também desenvolve ações de incentivo da agroecologia, como a entrega de alimentos orgânicos certificados para a merenda escolar por meio do programa Compra Direta. O projeto atende escolas e hospitais, além do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Teixeira Soares, que fornece alimento para cerca de 60 famílias em situação de vulnerabilidade. No total, 24 produtores rurais estão envolvidos na produção dos alimentos distribuídos.
O papel das mulheres na agroecologia também é central, mas nem sempre reconhecido. “Muitas mulheres não se valorizam, pois em algumas propriedades ela ajuda o marido direto, mas pensa que ‘não faz nada’, porque o trabalho dela não aparece”, avalia Maria de Fátima Portela, responsável pelo Departamento de Desenvolvimento Agrário da Secretaria Municipal de Agricultura de Teixeira Soares. Foram criados grupos rurais compostos apenas por mulheres para superar as barreiras culturais que impedem uma participação efetiva nas decisões. “Nas reuniões mistas, algumas mulheres não tinham coragem de colocar as próprias demandas, pois existe um preconceito de que ali ela não teria lugar de fala”, explica.
Para Lúcia Lebid de Oliveira, diretora de Projetos e Merenda Escolar da Secretaria Municipal da Agricultura, é essencial trabalhar a conscientização nas escolas, não só com os alunos, mas também com os professores. “O produto agroecológico é menor, ele é diferente, mas a importância está na saúde das pessoas”, defende.

Além da produção, Teixeira Soares abriga organizações voltadas à preservação da agrobiodiversidade, como os Guardiões das Sementes Crioulas. Em 2025, o município vai sediar a 20° Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade. O evento, organizado pelo Coletivo Triunfo, acontece nos dias 29 e 30 de agosto e deve reunir 70 expositores de diferentes estados.
Um dos desafios do poder público local e das famílias da produção agrícola é mostrar que, além de produzir alimentos saudáveis, é preciso derrubar as barreiras informacionais que afastam agricultores das políticas públicas e dificultam a compreensão da agroecologia como modelo viável e sustentável para o município. A atuação da equipe do Projeto de Extensão (UEPG/USF) Combate à Desinformação é avaliar a realidade para planejar ações em parceria com a comunidade regional.
